05/03/2008

Cabo Verde: Governo lança campanha para recuperar navio “Ernestina”


Ernestina em Cabo Verde ca. 1965 antes de seu retorno aos EUA Foto cedida Schooner Ernestina Comissão.
Praia, 05 Mar (Inforpress) - O Governo vai lançar brevemente uma campanha nacional e na diáspora para a recuperação do navio Ernestina, o barco que transportou, via marítima, os últimos emigrantes entre Cabo Verde e os Estados Unidos da América.

O ministro da Cultura, Manuel Veiga anunciou que na Comissão para as comemorações dos 550 anos do achamento de Cabo Verde haverá um grupo que fará essa campanha de recolha de fundos, em Cabo Verde e na diáspora.

Santo Antão: Laboratório de analise de qualidade de produtos alimentares quase pronto

Porto Novo, 05 Mar. (Inforpress) – O laboratório de análise de qualidade de produtos agro-alimentares de Santo Antão começa a funcionar a partir da próxima segunda-feira.

A garantia foi dada à Inforpress pelo delegado do Ministério do Ambiente e Agricultura (MAA) em Santo Antão , Orlando Freitas, que adiantou que o laboratório, que se localiza no Porto Novo, já está praticamente montado.
O projecto foi lançado a 13 do mês transacto pela ministra do Ambiente e Agricultura, Madalena Neves.
O laboratório faz parte do projecto de valorização do gado caprino da zona Norte do Porto Novo, financiado em um milhão de euros pela Região Autónoma de Piemonte (Itália), em parceria com o MAA e a Câmara Municipal do Porto Novo.

07/01/2008

Língua Portuguesa dificulta a vida aos Cabo-verdianos.


Tomasia tem 48 anos e vive há oito em Portugal com o marido e os filhos

Tomasia da Silva Costa vive em Portugal desde 2000 e quer ser portuguesa. Mas o facto de não saber ler nem escrever dificulta a sua capacidade de passar no exame de português, um dos requisitos obrigatórios para aceder à nacionalidade.

Segundo Simon Kamm, da agência Lusa, a cabo-verdiana de 48 anos vive em Portugal há quase oito, com o marido. Os três filhos, de 14, 18 e 19 anos, foram-se juntando a pouco e pouco à família, que vive numa casa própria no Cacém de Cima, Sintra.

17/12/2007

Cabo Verde: Nova Operadora de Telemóveis - T+

Cabo Verde passa a ter a partir da próxima semana uma segunda operadora de celulares, a T+, que vai concorrer com o atual monopólio da Cabo Verde Telecom.

O presidente do Conselho de Administração da T+, Marco Bento, afirmou que a empresa vai apresentar "preços competitivos" e que pretende ser uma alternativa para as comunicações móveis.

"A T+ entra no mercado cabo-verdiano num contexto privilegiado, e assume-se como uma alternativa para as comunicações móveis em Cabo Verde. É uma resposta à insularidade do país, onde o setor das telecomunicações assume hoje um papel determinante no desenvolvimento", afirmou Marco Bento.

Inicialmente a nova rede móvel vai cobrir apenas a ilha de Santiago. A previsão é que até o segundo semestre de 2008 estenda sua cobertura a todo o território nacional.

Como faz parte de um grupo internacional, a operadora vai também apostar no serviço de roaming (celular funciona fora do país) e nas chamadas internacionais. Apesar de não anunciar ainda a tabela de tarifas, a T+ espera baixar progressivamente os atuais preços das chamadas internacionais em cerca de 50%.

Em relação às tarifas para o mercado nacional, acontecem ainda negociações com a Cabo Verde Telecom, sob a alçada da Agência Nacional de Comunicações (Anac), mas Marco Bento garante que "a intenção é mesmo baixar os preços".

Um dos objetivos da T+ é dobrar o número de usuários de celular no Arquipélago (hoje em torno de 150 mil), num prazo de três a quatro anos. A população mais jovem, com menos de 19 anos, é um dos segmentos da população que a T+ quer conquistar.

Além do serviço normal de telemóvel, a T+ vai também disponibilizar serviços de dados (como o GPRS). A T+ tem como parceiros a Teylium Telecom (que detém 70% do capital social), BNP Paribas, Banco Interatlântico, Ericsson, e o Banco Mundial.

A operadora, que foi licenciada em 2006 pela Anac, também tem como acionistas o Alexander Group Telecommunications, com base em Nova Iorque (15%) e Marco Bento, fundador da empresa (15%).

A T+ vai investir nos próximos três anos cerca de US$ 50 milhões (R$ 80 milhões), incluindo US$ 15 milhões (R$ 26,7 milhões) para 2007-2008. A operadora pretende criar cem postos de trabalho e 500 empregos indiretos.

Queda de Avião em Juiz de Fora mata Cabo-Verdiano e o Instrutor.

Ricardo Rissardi, de 24 anos(instrutor) e Gildanio Freire Rocha(Danny) cabo-verdiano de 22 de idade, perderam a vida durante mais um voo rotineiro de instrução, no Aeroclube de Juiz de Fora.
"Na noite de sábado, fomos avisados às sete da noite de que um avião tinha caído minutos antes na zona norte de Juiz de Fora. Local de acesso difícil, no meio de um pasto, às margens de uma represa. Chegamos rápido e encontramos bombeiros e policiais militares. A cena era triste. O avião parecia um amontoado de sucata. A fuselagem desapareceu e só restou o esqueleto do aparelho. O fogo na aeronave já tinha apagado, mas os corpos continuavam em chamas. Aquela imagem nos deixou impressionados." disse Michele Pacheco-Repórter em Juiz de Fora

As causas do acidente estão sendo investigadas pela Aeronáutica. Segundo o sargento Antônio Costa, do 2º Batalhão da Polícia Militar do município de Juiz de Fora, o avião tocou a rede eléctrica antes de cair em uma área desabitada. "Houve uma explosão e quando a equipe de resgate chegou ao local, os corpos já estavam carbonizados", disse o policial.

Gildanio
já era piloto privado e estava a se preparar para voos em aviões comerciais.Não foi possível apurar informações mais detalhadas sobre Gildanio Freire.

As Famílias enlutadas endereço os meus sentimentos de pesar.

(update asemanaonline): Danny, morador de Achadinha, completava 22 anos neste domingo, 23, e estava no último ano do curso de pilotagem. Segundo os familiares e amigos da vítima, este era um dos últimos voos para terminar a formação.


Fonte:Noticias Fora do Ar

16/12/2007

Cabo Verde: Conheça a História de Albertino.

Albertino espera do fundo do coração há 25 anos por operação em Portugal.
Leva de forma inconsciente a mão ao peito quando fala. Há 25 anos que lhe foi detectado um problema cardíaco e os médicos lhe disseram que teria de ser operado em Portugal, mas hoje, aos 36, nem a uma junta médica foi.

Natural de Sinagoga, ilha de Santo Antão, onde vive, Albertino Ribeiro tem ar de ser bastante mais jovem, ajudado pela pouca barba e ar frágil. E, coisa rara aos 36 anos em Cabo Verde, é solteiro e sem filhos, porque o coração não lhe permite grandes projectos.
"Um médico disse-me que se quiser viver até aos 40 anos tenho de ter uma vida normal", diz, explicando que uma vida normal é comer comida sem sal, sem óleos, sem café, nada de bebidas alcoólicas ou tabaco, nada de esforços, "e também com mulheres tem de ser muito pouco".

A vida de Albertino sempre foi assim, desde que aos 11 anos os pais perceberam que se passava alguma coisa com o rapaz, que se cansava de tudo e de nada e que volta e meia ficava com manchas de sangue pelo corpo todo.


O jovem, como contou à Lusa, foi internado no hospital da Ribeira Grande, a poucos quilómetros de Sinagoga, e foi depois mandado para casa.

"Ia para casa e acontecia-me novamente. As manchas de sangue, muito cansado, às vezes nem sequer conseguia andar". Foi assim durante quase dois anos, quando um médico, "depois de muitos exames", descobriu que ele tinha um problema no coração e que teria de ser operado em Portugal.

Mas Albertino Ribeiro só saiu de Santo Antão para fazer outros exames, noutros hospitais, e 25 anos depois nunca foi chamado para uma junta médica, o primeiro passo para seguir para Lisboa e ser operado, ao abrigo dos acordos que existem entre Cabo Verde e Portugal.

"Na Praia disseram-me que fazer uma junta médica é devagar, custa muito dinheiro e há muita gente à espera", conta Albertino, que já esteve internado uma vez no Hospital da Praia, duas no da ilha de S. Vicente e tantas que nem sabe quantas no da Ribeira Grande.

Nos últimos 25 anos tem sido assim. Médicos, internamentos, promessas de junta médica, promessas de operação, depois garantias de que está estável e não precisa de ser operado, tanto que Albertino já se habituou a este ritmo: "Antes ainda corria um bocadinho, agora ando mais devagar".

As manchas também não lhe têm aparecido, até porque toma um comprimido diariamente, às vezes dois, quando o coração "anda mais acelerado", conta. "É muito caro e no hospital às vezes não há. Uma caixa de 30 comprimidos custa 2.500 escudos", lamenta.

Contas feitas, Albertino gasta por mês quase 23 euros em medicamentos. Mas Albertino não trabalha e os pais têm uma reforma que, em conjunto, chega aos 54 euros.

"Gosto de trabalhar com fotografias". Albertino ainda tentou trabalhar como ajudante de carpinteiro numa obra em Santo Antão, mas em pouco tempo o engenheiro responsável apenas lhe exigia que lhe lavasse o carro.

"As pessoas protegem-me", diz. E não é para menos: "Às vezes estou a andar, sinto-me mal disposto e tenho de me sentar, pegar no coração e beber um bocadinho de água. Sinto as penas largarem-me por completo".

Albertino nunca se esquece das palavras do doutor Arlindo, que lhe disse que ele tinha um problema muito sério, mas também não se esquece das várias promessas de um junta médica, que nunca chega. "Há um ano e tal um médico disse-me que mais tarde tenho de ir a Portugal. Ficam sempre a dizer isso".

Albertino não sabe quando é mais tarde. "Antes sentia-me bem, com 20 e tal anos. Mas aos 36 anos... às vezes tenho pena...". Albertino não termina a frase, leva apenas a mão ao coração e os olhos ficam brilhantes.

O governo de Cabo Verde tem um acordo com Portugal que lhe permite enviar para Lisboa 300 doentes por ano, contando com os que já lá se encontram a 31 de Dezembro.

As autoridades portuguesas, segundo o ministro da Saúde de Cabo Verde, Basílio Ramos, têm permitido que o número de doentes seja ultrapassado, quase sempre casos de doenças cardio-vasculares, traumatismos ou doenças renais (não há serviço de hemodiálise em Cabo Verde).

As viagens e estadia são por conta de Cabo Verde, os tratamentos pagos pelo governo português, sendo que a lista de espera é muito grande e necessita sempre de uma prévia ida a uma junta médica.

Albertino espera há 25 anos por essa junta médica. Segundo um dos últimos médicos que o consultou, no entanto, essa espera pode acabar dentro de quatro anos, aos 40, a esperança de vida que lhe deu.

E depois? "Depois não sei". Albertino encolhe os ombros. "Talvez seja só uma previsão".

Fonte:RTP
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...